Concurso Nacional de Mobiliário Urbano para a Cidade de São Paulo.
O projeto propõe a construção de uma identidade comum para os mobiliários urbanos de São Paulo a partir de um sistema flexível e não impositivo, capaz de dialogar com a diversidade e a dinâmica da vida urbana paulistana, marcada pela improvisação, pelo encontro e pela reapropriação cotidiana do espaço público. Mais do que objetos isolados, a proposta se organiza como um vocabulário de elementos simples, combináveis e adaptáveis pelos próprios usuários. Sua base conceitual apoia-se em dois princípios estruturadores — o pilar e o muro programático — que constituem a gramática comum do sistema. O pilar, como gesto vertical mínimo, sustenta, ancora e organiza o espaço, oferecendo sombra, abrigo e apoio, em referência direta à tradição da arquitetura brasileira do vão livre e da precisão estrutural. O muro programático atua como plano de contenção e suporte dos usos, abrindo-se a múltiplos programas, fluxos e encontros. A partir dessa lógica, bancos, lixeiras, bebedouros, quiosques e sanitários compartilham coerência formal e construtiva, ao mesmo tempo em que admitem variações de escala, proporção e materialidade conforme o contexto urbano. Concebido como uma infraestrutura aberta, o sistema permite replicação, ampliação e reinterpretação, incentivando a apropriação local e a construção coletiva, em uma lógica próxima ao “do it yourself” urbano. A materialidade em concreto, madeira e metal reforça a clareza estrutural, a durabilidade e a sustentabilidade do conjunto, enquanto a lógica modular e reversível favorece montagem, desmontagem, reuso e adaptação contínua. Assim, o projeto entende a cidade como um espaço em permanente construção, onde cada elemento sustenta a vida pública e contribui para um cenário urbano mais aberto, generoso e compartilhado.
Lugar: São Paulo, Brasil
Equipe: Sebastian Castro (CL) + Ricardo Kalil (Bra) + Martin Arena (Bra)
Tipo: Concurso público
Ano: 2025